terça-feira, setembro 26, 2006

“Afrontamento institucional” com Valentim Loureiro levou à demissão de Pedro Mourão e Frederico Cebola

Pedro Mourão demitiu-se da presidência da Comissão Disciplinar (CD) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, juntamente com o vogal Frederico Cebola, após o "afrontamento institucional" com Valentim Loureiro.
O presidente demissionário do CD explicou à agência “Lusa” que "deixou de ser possível coabitar institucionalmente" com Valentim Loureiro depois de o ainda líder da Liga ter criticado os membros da Comissão Disciplinar na sequência da abertura de um inquérito sobre caso “Apito Dourado”. Valentim Loureiro classificou de "montagem" a abertura deste inquérito, associando a decisão do CD às eleições do Benfica, clube que denunciou junto da Liga factos ocorridos no âmbito daquele processo. "Pretendeu desautorizar-me", acusou Pedro Mourão, que já tinha apresentado a demissão há três meses, na sequência do "Caso Mateus", acabando por recuar a pedido do presidente da Assembleia Geral da Liga, Adriano Afonso.
Sobre a eventualidade de voltar novamente atrás, para assegurar o funcionamento da CD até à tomada de posse dos novos órgãos da Liga, liderados por Hermínio Loureiro, Pedro Mourão foi peremptório: "A renúncia é irreversível". Quanto à abertura do inquérito que desencadeou a "colisão" com Valentim Loureiro, Pedro Mourão explicou que "o expediente do ‘Apito Dourado’ tinha sido arrumado na gaveta há um ano e sete meses" pelo anterior presidente da CD, Gomes da Silva. Gomes da Silva - que se demitiu a 20 de Julho, no âmbito do processo que relegou o Gil Vicente para a Liga de Honra e manteve o Belenenses no primeiro escalão - terá pedido à Procuradoria de Gondomar uma certidão para a CD "apurar eventual matéria de natureza desportiva". "Na resposta a esclarecimentos pedidos pelo procurador de Gondomar, Gomes da Silva explicou, nesse ofício, que preferia esperar mais 30 dias, período que a comunicação social avançava para a conclusão do inquérito. Ficou arrumado na gaveta um ano e sete meses", frisou Pedro Mourão. Em género de balanço, Pedro Mourão confidenciou que, em quatro anos de mandato, Valentim Loureiro "nunca reuniu com a totalidade da Comissão Disciplinar". "Houve apenas uma excepção, quando Valentim Loureiro se encontrou com os quatro elementos da CD a 9 de Junho, para manifestar a sua preocupação pelos 'casos' Mateus e Nuno Assis (um processo de dopagem)", revelou Pedro Mourão.
Com a demissão de Pedro Mourão e Francisco Cebola, a CD ficou reduzida ao vogal Fernando Silva e perdeu o quórum. Pedro Mourão e Frederico Cebola já tinham apresentado as demissões na sequência do “Caso Mateus”, a 14 de Junho, mas na altura Adriano Afonso demoveu os dois responsáveis, que foram assegurando quorum do CD juntamente com Fernando Silva.